317 - ISOLOU-SE DENTRO DE SI MESMO
Seg, 25 de Setembro de 2017 15:13

Virgílio era um velho solitário. Morava no apartamento de um prédio, mas quase não conversava com os vizinhos. De manhã e à tarde dava uma volta no quarteirão, trocava duas palavras com algum vizinho, e voltava para o seu esconderijo. Assentava-se e ficava ouvindo o tique-taque do despertador ou lendo sempre o mesmo livro. Assim todos os dias, invariavelmente. Um dia pensou consigo: Sempre os mesmos vizinhos lá fora, e os mesmos objetos aqui dentro. Essa rotina precisa acabar. Vamos mudar alguma coisa. Que fez?

Começou mudando o nome da mobília do quarto. À cama deu o nome de bacia. À bacia, o nome de meias. Às meias, o nome de toalha. À toalha, o nome de sapato. Ao sapato, o nome de armário. Ao armário, o nome de espelho. Ao espelho, o nome de cadeira. À cadeira, o nome de despertador. Ao despertador, o nome de camisa. À camisa, o nome de livro. Ao livro, o nome de gaveta. No dia seguinte começou a vigorar a nova nomenclatura. Quando a camisa tocou, levantou-se da bacia, pegou o livro que estava no espelho, calçou a toalha e o armário; lavou o rosto nas meias e o enxugou com o sapato. Depois penteou-se na cadeira, e assentou-se no despertador para ler sua gaveta.O velho achou divertida essa mudança. Ampliou seu dicionário arrevesado, modificando os nomes de outras coisas e pessoas. Exercitou-se tanto nessa linguagem secreta, que ficou familiar para ele.Mas criou um idioma que só ele entendia. Quando ouvia pessoas conversando, ria-se como doido pois não entendia o que elas queriam dizer. Nem ele se fazia entender. Por isso essa história teve um fim trágico: Passou a ser chamado de louco varrido.

> Palavra de Deus: Eu sou como o pelicano na estepe, e como a coruja entre as ruínas. Fico de plantão durante a noite. Tornei-me como um pássaro solitário no telhado... (Sl 102,7-8)

> Oração: Ajuda-me, Senhor, a transformar a matemática em obras e em vida. Quero aprender a:  SOMAR alegria. Somar a minha com a dos outros. O meu sucesso com o dos outros.   DIMINUIR tristezas, através de uma boa palavra, um bom conselho, um humorismo sadio.   MULTIPLICAR felicidade, plantando as sementes da justiça e da fraternidade.  DIVIDIR o pão e a roupa, o saber e o ter, o amor e a bondade. Amém.

 

 

 

318 – UMA CRIANÇA À BEIRA DO ABISMO

 

 

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