375 - AMARRADO NOS TRILHOS
Sáb, 02 de Dezembro de 2017 02:11

Os adversários conseguiram finalmente prender Persite, famoso espião de guerra inglês. Submetido a torturas horríveis na prisão, seu corpo foi todo picado com agulhas. Depois, protegidos pelas sombras da noite, arrastaram-no até a Estrada de Ferro.Amordaçaram sua boca e o amarraram de mãos e pés nos trilhos. À meia-noite, pontualmente, passaria por ali o trem expresso, vindo da Escócia. Certificaram-se da inviolabilidade das amarras, desejaram boa noite com uma risada sarcástica e desapareceram na escuridão.O relógio da torre de uma igreja vizinha deu onze badaladas. O condenado à morte sabia que lhe restava uma hora de vida. Uma hora somente, mas uma hora cheia de esperança. Venderia caro a vida.Começou então a luta titânica contra a morte. Experimentou a resistência das amarras, contorcendo-se vigorosamente. Os músculos e nervos se retesaram, quase estourando. Mas as cordas não cediam.O relógio da torre deu onze e meia. A luta desigual continuava.Quando o grande relógio deu três quartos de hora, as pernas do condenado se soltaram. Tinha ainda quinze minutos. A esperança aumentou. Os esforços se intensificaram. A mão direita também ficou livre. Mas percebeu leve vibração nos trilhos. O comboio vinha vindo. A morte se aproximava a galope. Depois ouviu o pesado rolar dos vagões sobre os trilhos. O tempo urgia.O farol da locomotiva, rasgando a escuridão, apontou ao longe. Faltavam trezentos metros... duzentos metros... cem metros... Reunindo as últimas forças, conseguiu soltar as cordas totalmente e caiu entre os trilhos, no fundo do bueiro.Encontrado ali, desmaiado e machucado, foi conduzido ao hospital. Somente três meses depois acordou do desmaio. Faltou pouco para enlouquecer.

> Para refletir: — É possível libertar-se dos grilhões dos vícios também. Com nossa força e a força de Deus. "Cristo liberta de todas as prisões." 

 

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