386 - O ARRUACEIRO
Sáb, 16 de Dezembro de 2017 04:24

  altO maior farrista e desordeiro da pequena cidade siciliana de Corleone, era Felipe, filho de um sapateiro. Até os cachorros e gatos desviavam-se, medrosos, do rapazinho quando passava pela rua.Não havia moleque na cidade que não tivesse travado conhecimento com seus punhos vigorosos. Seu banco na escola estava sempre vazio. Quem ficava satisfeito era seu mestre, porque a disciplina da classe ficava preservada.Cresceu nesse rumo, aliás, sem rumo. Estava no caminho que leva ao roubo e ao crime.Um dia aconteceu uma cena violenta que modificou totalmente a sua vida. Estava numa venda, contando aventuras e bravatas, quando um sujeito também tomado pela bebida o insultou:— Você saiu do banquinho de sapateiro. Para outra coisa não serve, senão para levar no couro...— Já lhe mostro como sei tirar o couro. / Avançou no adversário com o punhal em riste. O sujeito se levantou bamboleando da cadeira e puxou a faca, mas Felipe foi mais esperto. Aplicou vários golpes que o prostraram por terra, gravemente ferido.Formou-se um tumulto. Os companheiros da vítima puxaram as facas, mas Felipe foi empurrado para fora pelos seus amigos. Montou a cavalo e tratou de safar-se. No caminho começou a refletir: Enfrentar um fanfarrão, ferir um homem tomado pela bebida! Quanta covardia!Sentiu-se envergonhado do que fizera. Não! Isso não era vida de gente.No dia seguinte colocou sua espada no altar da igreja. Poucos dias depois, batia à porta de um convento dos Capuchinhos. Tornou-se Frei Bernardo de Corleone, o penitente.Morreu em 1667. É celebrado no dia 12 de janeiro.

> Para refletir:— Deus apareceu de repente no caminho de Bernardo e deu-lhe uma "fechada". Não pôde escapar. E eu... sempre me desviando dele!

 

 

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