515. OS ARREIOS TAMBÉM?
Sáb, 03 de Março de 2018 21:45

Esta história é muito conhecida. Mas nem todos sabem com quem aconteceu.São Francisco de Sales gostava de visitar as comunidades da sua diocese. Só podia ser a cavalo, pois viveu no século XVI.Caminhando pelos campos, cumprimentava os campônios, reunia-os e dava conselhos de vida cristã. Um dos seus temas favoritos era a fé e a oração na vida diária.Certa vez, após ter falado sobre a oração freqüente, perguntou a um roceiro se rezava sempre, e se o fazia com atenção. Seu Juvenal respondeu na hora, com aquele vozeirão de matuto:— Rezar é comigo, senhor bispo. Quando rezo, nem pisco os olhos. Meu pensamento fica preso na oração.— Quero ver se é verdade. Reze um pai-nosso sem distração, aqui na minha presença. Se rezar inteirinho, sem pensar em outra coisa, dou-lhe o meu cavalo.O roceiro olhou para o belo cavalo do bispo e não esperou outro convite. Persignou-se e começou. O povo não sabia se torcia em favor do Juvenal ou do bispo.Parecia correr tudo bem. O cavalo ia mudar de dono. Mas quando chegou na metade do pai-nosso, o matuto deu uma olhada no cavalo, outra nos arreios. Terminando, fez triunfante o sinal da cruz e:— Pronto, senhor bispo. O cavalo já é meu.— Mas por que você olhou para o cavalo e para os arreios?— Fiquei "assuntando" se ia ganhar também os arreios e as rédeas...Sorrindo malicioso, arrematou o bispo:— Nem cavalo e nem arreios. Já sabe por quê...O povo riu gostosamente. O Juvenal foi aplaudido, ao menos pela coragem que demonstrou.

São Francisco de Sales (1567-1622) — Bispo de Genebra, na Suíça. Escritor e doutor da Igreja. Padroeiro dos jornalistas. Disse uma vez que preferia ser julgado por excesso de mansidão do que por excesso de rigor. Festa: 24 de janeiro.

 

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