A JOVEM QUE MORREU CANTANDO
Ter, 13 de Novembro de 2018 13:39

Benedita Bianchi era uma jovem que tinha tudo na vida. Filha de um engenheiro, rica e bonita, inteligente e comunicativa, estudiosa e aluna de Medicina. Mas desse tudo ficou-lhe somente a voz, como resultado de longos sofrimentos.Foi perdendo pouco a pouco a vista, o ouvido, o paladar, o olfato, e todos os movimentos, exceto uma das mãos. Ficou imersa na imobilidade, no silêncio e na escuridão. Ficou apenas a voz e a jovialidade contagiante. Benedita (1936-1964) fez brilhantes cursos saltando várias etapas. Dentro dela, porém, havia qualquer coisa minando seu organismo. Cresceu na mão dos médicos e no leito dos hospitais. Algumas cirurgias obtinham sucesso, mas a maioria só fazia piorar seu estado de saúde.O que melhorava na mesma proporção, era sua atividade missionária. Da cadeira de rodas escrevia cartas, dava conselhos, encorajava os desanimados. Seu quarto transformou-se num ponto de reuniões, onde todos vinham para ouvir, perguntar, rir, orar e aprender. Em vez de confortar, eram confortados.Foi preciso fazer uma escala de visitas, porque os jovens brigavam para ficar ao seu lado. Habituaram-se a tratá-la como uma pessoa forte e normal.Nos seus últimos dias o único meio de comunicação ficou sendo a voz. Era com o alfabeto dos surdos-mudos que eles conseguiam comunicar-se com ela, passando-lhe trechos do Evangelho, artigos de jornais, confidências etc.No dia da morte, ela cantou sua última canção “Andorinha peregrina”. Suas últimas palavras foram ”Obrigado por tudo”. 

 

 

Outros artigos